Conseguir resistir e não fumar algum cigarro em casa, de tarde, sabendo que mais tarde, a noite, vou sair e fumar alguns deles.
Me encontro enfim em uma fase decisiva. Cinco meses para dezoito anos e quase nenhum pé no chão. Isso realmente me falta, tenho que admitir. Passo horas pensando em aspectos ciêntíficos, teoria da evolução, povos primitivos, fisica quantica, sexo e relacionamentos curtos. Estudo, nada; Trabalho, nada. Do futuro penso em filhos, marido, mas antes, viagens longas, me aculturando pelo mundo. Maravilha, é para isso que vim à este mundo.
Meu tédio é tão infinito, chega a parecer que nunca estou satisfeita. Sinto que para mim, tudo tem que estar sempre perfeito, agradável: Divertido e como nas cenas dos filmes. São raros os momentos que me sinto espontâneamente feliz. Porém, sou apaixonada por mim mesma. Minhas habilidades, inteligência, dotes artísticos, minha capacidade de amar com intensidade, de ver tudo com uma espectativa tão mais ampla que os outros. Quer me achar, me procure no Mundo das Idéias de Platão. Mas com certeza estarei ocupada por lá, me distraindo; Em alfa de alta amplitude.
O outro lado dessa persona é a minha insegurança: Inoportuna, sem hora pra chegar, pra ir embora, barulhenta e silenciosa ao mesmo tempo. Espelho, espelho meu, quanta contraditoriedade.
Estou aqui, no ano de 2011, mas já estive pior. Mais feia, mais magra, mais imatura do que hoje em dia. Não bebia, não virava as noites, não conhecia pessoas que me fizessem ter vontade de ir além. Estou bem de vida, apesar da displiscência nunca consegui me sair mal na escola. Mas muitos dos meus amigos não tem tido tempo pra mim, estão com seus namorados e namoradas, já eu não tenho um. Não me pergunte porque, pois nem eu sei.
O difícil de ser uma pessoa como eu é que as pessoas nunca acompanham o meu raciocínio, as minhas vontades exóticas, desejos implicitos, gostos, nem ao menos gostam da mesma música. As pessoas não conseguem te decifrar e você mesmo sabe que é indecifrável, imprevisível.
Logo ontem, sonhei com uma estrada e eu a percorria com uma bicicleta velha, mochila nas costas. Hoje, sonhei com a mesma estrada, mas eu a percorria com uma moto à quase duzentos por hora. E dessa vez eu levava toda a bagagem. Bagagem de uma vida inteira.
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